segunda-feira, 11 de setembro de 2017

God bless cinema

Debra Paget em O Túmulo Indiano.
Claudia Cardinale em Aconteceu no Oeste.
Diane Lane em Estrada de Fogo.
Anna Karina nos Godards todinhos.
Marilyn Monroe em qualquer coisa.








Cartas de Amor de JLG

«There was theatre (Griffith), poetry (Murnau), painting (Rossellini), dance (Eisenstein), music (Renoir). Henceforth there is cinema. And the cinema is Nicholas Ray.»


«If the cinema no longer existed, Nicholas Ray alone gives the impression of being capable of reinventing it, and what is more, of wanting to.
While it is easy to imagine John Ford as an admiral, Robert Aldrich on Wall Street, Anthony Mann on the trail of Belliou la Fumee or Raoul Walsh as a latter-day Henry Morgan under Caribbean skies, it is difficult to see the director of "Run for Cover" doing anything but make films. A Logan or a Tashlin, for instance, might make good in the theatre or music-hall, Preminger as a novelist, Brooks as a schoolteacher, Fuller as a politician,
Cukor a press agent - but not Nicholas Ray.
Were the cinema suddenly to cease to exist, most directors would be in no way at a loss; Nicholas Ray would.»

Pleonasmo

Um filme de Sorrentino realmente mau.

Amor à camisola

Em Berlim entrevistei o Álex de la Iglesia a propósito do El Bar, filme que esteve presente nesta edição do MotelX. Quando a passei a limpo, deparei-me com este excerto que tive que "embelezar", mas prefiro deixar aqui a versão suja e honesta (e deontologicamente incorreta) do que se passou:

«Dudu: Na conferência de imprensa disse que as suas influências são Buñuel e Carpenter...
Alex: É apenas um exemplo. O que queria era salientar um contraste. Buñuel é considerado um cineasta importante e sério, enquanto Carpenter é um cineasta que faz filmes de série-B. Esta combinação, entre coisas importantes e coisas estúpidas é o que faz o meu cérebro.
Dudu (excitado, bate com a mão na mesa): Mas o Carpenter não é "estúpido"! Olhe que até a crítica mais intelectual gosta do Carpenter!
Alex (encolhido e a sorrir): Obrigado. Muito obrigado.»

Geralmente sou um gajo educado e neutro nestas situações. Mas raios, também tenho que mostrar amor à camisola.

domingo, 10 de setembro de 2017

"Le cinéma sonore a inventé le silence." Robert Bresson, Notes Sur le Cinématographe

"The rest is silence." William Shakespeare, Hamlet


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O plano clandestino de «North by Northwest»

«(...) Dag Hammarskjöld proibiu que se fizessem filmes de ficção utilizando o edifício das Nações Unidas, depois de um filme que se intitulava The Glass Wall. Apesar disso, fomos até ao edifício das Nações Unidas e, enquanto os guardas vigiavam o nosso material, filmámos um plano com uma câmara oculta; a entrada de Cary Grant no edifício.»

Hitchcock / Truffaut

North By Northwest (1959), Alfred Hitchcock

Preencher o tapete

«François Truffaut (F.T.):  (...) justamente atrás de Clift, ao lado da mulher de Otto Keller, doce, formosa e comovida, vê-se uma mulher gorda, bastante repugnante, comendo uma maçã e cujo olhar expressa uma curiosidade maligna.

Alfred Hitchcock (A.H.): Sim, coloquei esta mulher de uma maneira deliberada, especial. Dei-lhe a maçã e disse como comê-la.

F.T.: Bom, isto é algo que ninguém do público nota, porque se vêem fundamentalmente as personagens já conhecidas. Trata-se, portanto, de uma exigência sua, não em relação ao público, mas a si próprio e ao filme.

A.H.: Mas, escute-me, essas coisas têm que ser feitas... Trata-se sempre de preencher o tapete e já dissemos que é preciso ver um filme várias vezes para observar o conjunto dos detalhes. A maior parte das coisas que introduzimos num filme perdem-se realmente, mas, seja como for, trabalham a seu favor quando voltam a ser distribuídos vários anos depois; damos-nos conta de que segue algo sólido e que não passou de moda.»

Hitchcock / Truffaut

I Confess (Confesso!, 1953), Alfred Hitchcock