Plano de Conjunto
segunda-feira, 13 de abril de 2026
A arte, o artista e o artolas
domingo, 12 de abril de 2026
Quotas
De quando em vez, em conversa com pessoas de esquerda, ouço o argumento de que as instituições norte-americanas estão montadas para excluir negros, hispânicos e outras minorias. Ouço, também, que a única maneira de estas mesmas minorias serem nelas aceites é pela aplicação de quotas. Acho curioso. Não me lembro de a Jennifer Lopez precisar de quotas para se tornar numa das mais celebradas cantoras pop mundiais. Não me lembro de a Whoopi Goldberg precisar de quotas para vencer um óscar. E não me lembro de o Obama precisar de quotas para ser presidente da nação mais poderosa do mundo inteiro.
Afirmar que, só pela aplicação de quotas, pessoas vistas como pertencentes a estas minorias podem ser reconhecidas é nada menos do que desvalorizar o mérito destas e doutras personalidades que lhes antecederam, substituindo-o por um olhar escusadamente paternalista. O esforço individual e a qualidade do trabalho apresentado não precisam de percentagens burocráticas para se salientarem face aos seus pares. Para além de que os efeitos são perniciosos, acentuando-se (ao invés de se atenuarem) as diferenças ao nível da nacionalidade, ascendência familiar ou pigmentação da pele. Algo que, suponho, seja indesejável numa sociedade verdadeiramente progressista.
Finalmente, há que perguntar: quem define os grupos que essas quotas devem representar e quais aqueles a ser excluídos? Ou, para essas almas tão virtuosas e iluminadas, não se devem considerar os manetas, os anões, os sopinhas de massa ou as pessoas de afastados incisivos?
sábado, 11 de abril de 2026
JK Rowling
Dizem que a JK Rowling é transfóbica. O primeiro passo passa por definir o que é um transsexual. Dir-me-ão que é alguém que se identifica com o género oposto. Eu digo que é alguém que se sujeitou a uma operação para se converter ao género oposto. Sem essa intervenção, é apenas um homem que tem tanta credibilidade em afirmar-se como mulher como outros a tinham quando proclamavam que eram Napoleão (excluindo, evidentemente, o próprio Napoleão). Aquilo que JK Rowling defende – e é também o que eu defendo – é a prevalência do sexo e cromossomas para a atribuição do género de uma pessoa, não bastando alguém afirmar “Eu identifico-me como…” para o ser efectivamente. O que JK Rowling critica não é, em suma, os transsexuais (ou, pelo menos, a sua concepção de “transsexual”) mas a ideologia de género, a qual veio a ganhar tanta força junto de activistas progressistas nos últimos anos, assim como a implacável subserviência por parte da esquerda contemporânea e de algumas instituições. E, por isso, aos muitos que me dizem “Gosto do Harry Potter, apesar do que a JK Rowling escreve no X”, respondo “Gosto do que a JK Rowling escreve no X, apesar do Harry Potter”.
“What’s in a name?”
De quando em vez, em discussões acaloradas, ouço o argumento “Diz-me um nome de uma pessoa que…” em torno do tema a ser debatido. Já me aconteceu o “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha sido condenada à morte pela Inquisição” ou “Diz-me um nome de um homem que tenha feito parte de uma competição desportiva de mulheres”. Apesar de, no entretanto, já saber apontar exemplos para ambos os casos (Giordano Bruno para o primeiro; Imane Khelif para o segundo), passei a responder a esse tonto desafio com um “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha sido enviada para o Tarrafal”; “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha estado presa num gulag”; “Diz-me um nome de uma pessoa, russa ou ucraniana, que tenha morrido na invasão da Ucrânia”. Não é o conhecimento de indivíduos envolvidos (que, como é evidente, ninguém é obrigado a decorar, sobretudo quando a História é tão rica em acontecimentos) que implica a existência ou inexistência dos factos. Ou, como diria, Shakespeare, “What’s in a name?”


