domingo, 19 de julho de 2026

A sucursal portuguesa da Trade Republic dá 3% de juros até 50.000€ no dinheiro parado e 2,25% acima desse valor. Sem comissões e sem prazos mínimos de permanência. Os depósitos a prazo da nossa banca dão, em média, 1,48%, que só temos em mãos ao fim de x meses e após pagar y em comissões. A Trade Republic tem tudo para ser a Digi do nosso sector bancário, forçando a concorrência actual (que, através de produtos de pífia remuneração e alguma conivência do Estado, prejudicou o consumidor durante demasiado tempo) a melhorar as condições, levando-a a apresentar, por fim, propostas mais competitivas e recompensadoras. Depois do fim do cartel das telecomunicações, é a vez do fim do oligopólio da banca. E desta vez, não haverá Fernando Medina para o salvar.

sábado, 18 de julho de 2026

"Off with their heads!"

"Demissão para o Fernando Alexandre!", pede o PS por causa da digitalização falhada dos exames nacionais. "Demissão para o Luís Neves!", pede o Chega por causa das dúbias obras do ministro da administração interna. Neste rectângulo à beira-mar plantado, exigir o corte de uma cabeça política por cada escândalo é a proposta de solução mais comum. E assim, de decapitação em decapitação, lá se esperam resolvidos os nossos problemas. É o nosso síndrome: o da Rainha de Copas da "Alice no País das Maravilhas".

domingo, 12 de julho de 2026

Guarda-redes

Talvez pela minha crónica falta de jeito para jogar à bola, a qual me levou incontáveis vezes a ouvir, em aulas sofríveis de Educação Física, "Duarte, vai para a baliza", tenho o meu panteão futebolístico exclusivamente ocupado pela figura do guardião. É nela, na posição regularmente encarada como a de patinho feio do relvado ("Guarda-redes?! Guarda-redes é para quem não sabe jogar!", diz o Cristiano Ronaldo ao filho num documentário com o seu nome), que a falta de talento com os pés é simultaneamente punida e recompensada com a última linha de defesa do colossal rectângulo do qual depende a vitória ou a derrota de uma equipa. Não é à toa que o título mais belo de um filme de Wim Wenders é, justamente, "A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty". Pois, num jogo de futebol, não há maior pressão psicológica nem colocação onde o mais ínfimo erro se revele fatal do que aquela por que passa o homem das luvas de látex que se atira na obstinada procura em parar o esférico com a força das suas palmas. 

Nunca o futebol me proporcionou tanta alegria como no temporalmente longínquo e ainda sentimentalmente próximo Portugal - Inglaterra do Euro 2004, onde a nossa aprovação para as meias-finais foi decidida em dois desafiantes penáltis pelo guardião Ricardo: o primeiro, na imortal defesa sem luvas de um remate de Darius Vassell; o segundo, na marcação do seu golo decisivo que levou Portugal à vitória. Um guarda-redes que escolhe defender sem luvas é o equivalente ao soldado de infantaria que opta por entrar no campo de batalha sem capacete: imprudente, perigoso, tão tremendamente arriscada a tentativa quanto superlativamente admirável se concluída com sucesso. A ansiedade que antecedeu estes dois momentos, assim como a euforia encontrada nos respectivos desfechos, cristalizaram na minha mente a imagem do guarda-redes como a de um atleta menosprezado capaz de ser presentado pela mais memorável glória. E isto numa altura em que os espectadores viam os jogos em canais abertos, estando as televisões do país inteiro sintonizadas ao milissegundo, fazendo um povo sofrer e rejubilar de modo perfeitamente sincronizado (nada de golos com sabor a requentado, como hoje ocorre consoante o canal utilizado e a operadora subscrita).

Ricardo ocupa o topo do meu panteão futebolístico, Mas não está nele só. Acompanho-o com outros, como o soviético Lev Yashin (ainda o único guarda-redes vencedor do Ballon d'Or), o espanhol Iker Casillas (cuja defesa contra um remate da Holanda, na final do Mundial 2010, contribuiu decisivamente para a vitória da selecção espanhola, e onde o prémio mais importante não foi a cobiçada taça da FIFA mas um terno beijo a Sara Carbonero) ou o marroquino Bounou (o percurso de Marrocos no Mundial 2022, muito graças à prestação do seu guardião, foi o mais perto que vi de uma adaptação do Rocky para a vida real).

Por me lembrar disto e por mais, e ainda no rescaldo da derrota da Noruega contra a Inglaterra (que em nada eclipsa o seu extraordinário desempenho contra o Brasil), passa então a constar, neste meu humilde panteão, ele: Ørjan Nyland.

sábado, 11 de julho de 2026

Andava aqui a ver programas de debate político, à procura de algo mais do que mera indignação e do termo "desastre comunicacional" para falar sobre a polémica do Fernando Alexandre e da digitalização falhada dos exames. Chego ao "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer " (aka "Governo Sombra") e ouço o Ricardo Araújo Pereira referir um conto do Eça e de como "reforma" é um anagrama para "é morfar". Para além de ser o nosso maior humorista, é também o mais original comentador político que temos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

No Observador, Tiago Dores explica, de modo acessível e espirituoso, a diferença entre PIB e PIB per capita. E o porquê de não se dever menosprezar o segundo indicador para conhecermos, verdadeiramente, a riqueza de um país.




61,5% em 5 anos. 12,3% ao ano. Melhor do que muitos ETFs, incluindo o S&P 500. Porquê comprar casa em Portugal? Porque é um investimento de elevado retorno. Um PPR (muito) agressivo onde se pode viver no seu interior.

Fonte: Jornal de Negócios



domingo, 21 de junho de 2026

Pequeno contributo para uma existência mais feliz

Para me salvaguardar de desilusões e de lamentos quanto ao tempo perdido, há muito tempo que adoptei esta postura face a cada nova "melhor série de sempre" que me é, geralmente, recomendada por amigos ou familiares: espero pelo último episódio da última temporada e, se o vibrante entusiasmo dos que inicialmente ma recomendaram se mantiver, então, só aí, considerarei em juntar-me à lista dos seus eventuais espectadores. É por isso que nunca verei "Dexter", "Game of Thrones", "How I Met Your Mother"... e, pelos vistos, "Euphoria" também.