terça-feira, 12 de junho de 2018

Saudades dos clássicos

«Uma coisa abusiva no cinema, e que não existe em outras áreas e que é umas das coisas que critico é que muitas vezes as pessoas que fazem filmes não os fazem constantemente. Não é uma profissão, digamos, regular; a não ser antigamente, em Hollywood. É por isso que os filmes eram… digamos, melhores, apesar de tudo; é o que me parece, de maneira geral; o filme médio era melhor que o filme médio actual; havia um pouco mais de conteúdo. Isso decorria simplesmente do facto de que as pessoas eram pagas por dia pelos grandes estúdios, e o pessoal vinha bater o ponto, por bem ou por mal, como numa fábrica, e na cantina conversavam com outras pessoas que faziam a mesma coisa… Havia um savoir-faire médio, uma harmonia média que se podia criticar, mas que existia; e hoje não existe mais. »

Jean-Luc Godard, Introdução a uma Verdadeira História do Cinema, 1980 (Tradução: Antonio de Padua Danesi)

sábado, 31 de março de 2018

Books on Cinema: Rui Alves de Sousa

O crítico de cinema (na Take Magazine), podcaster (no À Beira do Abismo) e humorista Rui Alves de Sousa aceitou o meu convite para o Books on Cinema, onde teria de escrever sobre um livro de cinema à escolha. Ele seleccionou a autobiografia de Groucho Marx, Groucho and Me. Ao Rui, agradeço sinceramente o ter aceite a proposta, bem como o esforço empreendido em tamanha tarefa.
De resto, é ir ler o texto e, quem sabe, o livro.

domingo, 18 de março de 2018

Livros ali ao lado

Juventude garbosa, isto agora vai funcionar assim: os links para os livrinhos de cinema que vou encontrando e lendo, passarão a estar disponíveis num sítio mais decente, acompanhados por introduções num inglês arranhado, se bem que com uns pontinhos acima do de Zézé Camarinha. Estejam à vontade para nos fazer uma visita.
(E há página de fb, com a linda Karina a dar as boas-vindas.)

sábado, 10 de março de 2018

Humor Fordiano

«-Mr. Ford, you made a picture called Three Bad Men, which is a large scale western, and you had a quite elaborated land rush in it. How did you shoot that?
-With a camera.»

«-Mr. Ford, how did you get to Hollywood?
-By train.»

«-Mr. Ford what did you thought you would achieve when you decided to make a career in motion pictures?
-I thought... I would achieve... a check

«(...) they had just held a production meeting and had reached the conclusion that the picture was four days behind schedule. Without changing his expression, Ford looked at him for a few seconds, and then casually opened the script, tore out four pages, handed them to the astounded man, and said, "We're on schedule. Now beat it." »

Tudo disponível em Searching for John Ford.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Como fazer uma crítica à João Lopes

1º - Comece o texto com um "De que falamos quando falamos de [inserir nome de realizador cujo mais recente filme vai ser analisado ou a temática sobre o qual o mesmo reflecte]?"

2º - Caso se trate de um blockbuster a ser avaliado, certifique-se de que emprega o termo "videojogo" num sentido pejorativo, usando os filmes da Marvel como casos paradigmáticos. Defenda-se de eventuais acusações de elitismo lançando louvores ao Tubarão de Spielberg.

3º - Caso não se trate de um blockbuster, escreva que o filme em causa "está longe do mero acumular de efeitos especiais dos filmes de super-heróis."

4º - Se gosta do filme, certifique-se de que usa o termo "brilhante" em, pelo menos, um dos departamentos da produção (e.g., "montagem brilhante", "brilhante uso de efeitos especiais", "pastéis de bacalhau servidos naquela manhã pela brilhante equipa de catering").

5º - Caso tenha visto um filme comercial (ou de autor) português, diga que este é (ou que não é) semelhante aos reality shows e compare a semelhança (ou diferença) da interpretação dos seus actores aos de "telenovelas e seus derivados" (ou aos de "telenovelas e seus derivados").

6º - Se lhe parece que o filme vá ser destacado pela próxima edição dos óscares, saliente esse facto, mas disfarce, imediatamente, o seu interesse pela cerimónia, ao dizer que os resultados da mesma não têm qualquer relevância para a qualidade do objecto fílmico em si.

7º - Como conclusão, chame a atenção, em tom interrogativo, para o quão "sintomático" dos dias de hoje é o que o filme em causa apresenta, colocando, como remate final, um "eis a questão" confiante e paternalista (e.g., "Que é sintomático da falta de imaginação corrente o facto do João Lopes andar a escrever as mesmas críticas desde há mais de 10 anos? Eis a questão.")

Nota: E não se esqueça, um hélas por dia, dá saúde e alegria.