sábado, 11 de abril de 2026

“What’s in a name?”

De quando em vez, em discussões acaloradas, ouço o argumento “Diz-me um nome de uma pessoa que…” em torno do tema a ser debatido. Já me aconteceu o “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha sido condenada à morte pela Inquisição” ou “Diz-me um nome de um homem que tenha feito parte de uma competição desportiva de mulheres”. Apesar de, no entretanto, já saber apontar exemplos para ambos os casos (Giordano Bruno para o primeiro; Imane Khelif para o segundo), passei a responder a esse tonto desafio com um “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha sido enviada para o Tarrafal”; “Diz-me um nome de uma pessoa que tenha estado presa num gulag”; “Diz-me um nome de uma pessoa, russa ou ucraniana, que tenha morrido na invasão da Ucrânia”. Não é o conhecimento de indivíduos envolvidos (que, como é evidente, ninguém é obrigado a decorar, sobretudo quando a História é tão rica em acontecimentos) que implica a existência ou inexistência dos factos. Ou, como diria, Shakespeare, “What’s in a name?”

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