De quando em vez, em conversa com pessoas de esquerda, ouço o argumento de que as instituições norte-americanas estão montadas para excluir negros, hispânicos e outras minorias. Ouço, também, que a única maneira de estas mesmas minorias serem nelas aceites é pela aplicação de quotas. Acho curioso. Não me lembro de a Jennifer Lopez precisar de quotas para se tornar numa das mais celebradas cantoras pop mundiais. Não me lembro de a Whoopi Goldberg precisar de quotas para vencer um óscar. E não me lembro de o Obama precisar de quotas para ser presidente da nação mais poderosa do mundo inteiro.
Afirmar que, só pela aplicação de quotas, pessoas vistas como pertencentes a estas minorias podem ser reconhecidas é nada menos do que desvalorizar o mérito destas e doutras personalidades que lhes antecederam, substituindo-o por um olhar escusadamente paternalista. O esforço individual e a qualidade do trabalho apresentado não precisam de percentagens burocráticas para se salientarem face aos seus pares. Para além de que os efeitos são perniciosos, acentuando-se (ao invés de se atenuarem) as diferenças ao nível da nacionalidade, ascendência familiar ou pigmentação da pele. Algo que, suponho, seja indesejável numa sociedade verdadeiramente progressista.
Finalmente, há que perguntar: quem define os grupos que essas quotas devem representar e quais aqueles a ser excluídos? Ou, para essas almas tão virtuosas e iluminadas, não se devem considerar os manetas, os anões, os sopinhas de massa ou as pessoas de afastados incisivos?
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