segunda-feira, 13 de abril de 2026
A arte, o artista e o artolas
Não vejo qualquer problema em apreciar a arte de um artista "problemático" (entenda-se, um génio no seu ofício com uma conduta pessoal condenável). Chaplin, um dos maiores cineastas da História, engravidou uma adolescente de 16 anos e teve de se casar com ela no México para evitar um (ainda maior) escândalo. Caravaggio, zénite da pintura barroca, assassinou um homem numa rixa fútil. E o nosso Saramago fez saneamentos políticos, nos quadros do DN, na altura do PREC. Mas não trocaria os filmes do primeiro, os quadros do segundo ou os romances do terceiro por qualquer bom samaritano cujo trabalho me deixa profundamente enfadado ou indiferente. De facto, até me consola. Se, após terminar a minha experiência com uma obra superlativa, for atravessado pelo desmotivante pensamento, "Nunca serei capaz de fazer algo tão belo", poderei, após uma clarificante pausa, complementá-lo com um apaziguador, "Mas também nunca serei capaz de cometer algo tão feio". Ou, pelo menos, assim o espero.
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