sábado, 25 de maio de 2024
quinta-feira, 23 de maio de 2024
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Quem quiser saber o estado de tecno-distopia hipermonitorizada a que Singapura chegou, passou, na RTP3, na noite de sábado para domingo (1h00), um documentário intitulado "Singapura: Cidade Perfeita ou Estado de Vigilância Distópico?"
Algumas notas do que por lá se fala:
-Robots-patrulha a supervisionarem as ruas;
-Cedência de dados pessoais para inscrição em paradas gay;
-Câmaras de vigilância e sinais de aviso constantes para fins de intimidação psicológica;
-Incentivo, via campanhas propagandísticas, dos cidadãos à delacção;
-Celas de prisão sem camas nem colchões. Simplesmente, com um tapete fino no chão;
-Pena de morte fácil para quem tem quantidades de droga consigo superiores às permitidas pela Lei, com envio de fotografias dos condenados, aos familiares, em traje civil e a sorrirem forçadamente no dia da execução.
Também se fala das suas boas inovações futuristas: carne artificial criada em laboratório, robots-fisioterapeutas que auxiliam os utentes das alas geriátricas, e sofisticados zingarelhos didácticos usados desde o jardim de infância.
Vejam-no. É a melhor adaptação do "1984" que conheço.
sábado, 4 de maio de 2024
sábado, 27 de abril de 2024
Em todos os programas de comentário político que acompanho, dedica-se demasiado tempo (para não dizer todo) para discutir os últimos comentários infelizes do presidente português. E não se dedica o suficiente (para não dizer nenhum) para discutir a trágica lei recém-aprovada pelo parlamento britânico que permite a deportação de imigrantes ilegais para o Ruanda.
O primeiro tema é capaz de ocupar 30 minutos de um programa. O segundo, nem a 3 segundos tem direito. Se, como tantos dizem, somos uma sociedade rendida às superfícies e às frivolidades, também é porque a televisão, quando devia ser mais substancial e dar provas de relevância, demasiadas vezes nos ensina a olhar para o mundo dessa maneira.
(Felizmente, há os cartoonistas do POLITICO Europe. O humor faz mais pela democracia e pela consciência social do que muito programa sério. Mas isso já eu sei há anos.)
sexta-feira, 19 de abril de 2024
Longo. Repetitivo. Por vezes, superficial. É manifestamente um passo atrás depois daquele que era um dos seus melhores discos, "Midnights", ter conseguido conciliar a sua sensibilidade lírica mais inspirada (a de "Folklore" e "Evermore") com as suas produções mais contagiantes (a de "1989" e "Lover"). Para quem é vista como o maior monólito da cultura pop contemporânea, cujo impacto vai do crescimento do PIB norte-americano à origem de crises diplomáticas no sudeste asiático (e, quiçá, ao auxílio da reeleição de Joe Biden para a Casa Branca), é difícil negar o travo a (não grande, mas também não ignorável) decepção. O grande pop é como a grande cola: agarra-se com força e recusa-se a desprender. Infelizmente, comigo, a maioria do álbum "The Tortured Poets Department" soltou-se mal acabou a primeira audição...
...o que não impediu de encontrar algumas excepções:
"You're not Dylan Thomas,
I'm not Patti Smith
This ain't the Chelsea Hotel,
We'rе modern idiots."
terça-feira, 9 de abril de 2024
Não faço a mínima se irei gostar do "Deliver Me From Nowhere", o biopic musical (sim, eu sei, é outra pandemia que para aí anda) de Scott Cooper sobre a origem e gravação do "Nebraska" do Bruce Springsteen. Mas gosto muito dessa história, de uma estrela de rock já famosa e bem-sucedida que, apesar de estar bastante confortável com uma banda e dominar toda a parafernália eléctrica de estúdio, decide regressar ao básico, gravando-se apenas a si, à sua guitarra e às histórias que tem para contar num gravador de cassetes, no seu quarto, obtendo como resultado final um dos seus melhores discos. E ouvir isto numa sala escura, com boas colunas, enquanto são projectados os créditos finais, deve providenciar uma das mais satisfatórias sensações à saída de um cinema. Independentemente do que a anteceda.

