domingo, 14 de janeiro de 2024

The National a passar no Lidl da Penha de França. Início de progresso na música ambiente das cadeias de retalho? Ou a confirmação final do declínio artístico de uma banda?

sábado, 13 de janeiro de 2024

Era o Ted Sorensen, conselheiro e "speechwriter" do Kennedy, que dizia que, mais do que as palavras, eram as ideias, os princípios e os valores que davam a grandiosidade a um discurso. E o recente discurso de Chris Christie, o candidato republicano mais vocal na oposição a Donald Trump nas primárias do seu partido, a anunciar a sua desafortunada desistência da corrida presidencial, parece seguir esse conselho à letra, tal é a substância premente que acarreta: a importância da defesa da democracia, a verdade e a coragem como armas de combate contra o medo e o ódio, a urgência no impedimento da vitória dos populistas autocentrados de tendências despóticas, e o enaltecimento da diferença - tão comummente manipulada para fins divisórios - como um alicerce a partir do qual se constrói uma grande nação. Não sei se é o seu Gettysburg Address, o seu "I have a dream", o seu "Ask not what your country can do for you", ou o seu "The only thing we have to fear is fear itself". Mas sei que é um belíssimo discurso a precisar de ser ouvido. E não só pelo eleitorado americano.

«I would rather lose by telling the truth than lie in order to win, and I feel no differently today, because this is a fight for the soul of our party and the soul of our country. (...) I want you to imagine for a second that Jefferson and Hamilton and Adams and Washington and Franklin were sitting here tonight. Do you think they could imagine that the country they risked their lives to create would actualy have a conversation about whether a convicted criminal should be president of the United States? I can't tell you how many people in New Hampshire have asked me, "Why there isn't a law against that?". The answer is because nobody ever thought that someone would have the audacity to run for president as a criminal. And they never thought that any American electorate would actually support it. (...) I remember what Benjamin Franklin said - I'm sure many of you do to - when he was walking down the street in Philadelphia after the constitutional convention, and a woman approached him and said, "Mister Franklin, what kind of government did you give us?". And he said to the woman, "A republic, if you can keep it." Benjamin Franklin’s words were never more relevant in America than they are right now.»

sábado, 6 de janeiro de 2024

Consigo compreender o fascínio pelo Ryan Gosling: a sua masculinidade "cool" torna-o fácil de imaginar numa oficina, usando uma t-shirt manchada de óleo com os abdominais ginásticos bem salientados. 

Consigo compreender o fascínio pelo Ryan Reynolds: o seu sentido de humor carismático torna-o fácil de imaginar num sofisticado bar com espectáculos de comédia "stand-up", piscando sedutoramente o olho aos membros femininos da audiência enquanto as gargalhadas e os aplausos recebem as suas piadas certeiras. 

Consigo até compreender o fascínio pelo Benedict Cumberbatch: o seu sotaque elegante torna-o fácil de imaginar numa instituição académica de prestígio, uma espécie de professor charmoso que faria as alunas escreverem nas pálpebras as palavras "Love you" como vimos no primeiro "Indiana Jones". 

Mas não consigo compreender - não consigo mesmo - o fascínio feminilmente consensual, universal e transgeracional, de jovens adolescentes a mulheres maduras, pelo Timothée Chalamet. É que só o imagino sentado num refeitório estudantil, de uniforme colegial aperaltado, enquanto merenda um pacote de Oreos acompanhado de um copo de leite bem morninho.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Há que tirar o chapéu à máquina de "spin" do PS. Eis que um ex-ministro, anteriormente definido como impulsivo e imaturo, passa agora a ser visto como diligente e proactivo pelas mesmas razões. A narrativa é eficiente: "O Pedro Nuno Santos precipitou-se quando anunciou a construção de um aeroporto sem consultar ninguém? Sim, mas porque é um 'fazedor' e não se respalda na inércia que tanto atormenta este país." E começa-se a pensar como é que estes talentosos "spin doctors" teriam lidado com alguns dos maiores escândalos da política internacional. Dois exemplos:

1) "O Nixon colocou escutas ilegais para espiar os seus adversários políticos? Sim, mas porque quis garantir que, na eventualidade de ficarem indispostos, estaria alguém a ouvi-los para rapidamente fazer chegar o devido auxílio."; 

2) "O Bill Clinton recebeu felação de uma estagiária na Sala Oval? Sim, mas porque se preocupa em estar próximo das gerações mais novas e quis mostrar o quanto lhe tocam no íntimo do seu ser."

domingo, 24 de dezembro de 2023

Neste Natal, em harmoniosa noite de consoada, não se esqueçam de enfastiar miúdos e graúdos, os vossos e os dos outros, ensinando-lhes como formar correctamente o plural de "bolo-rei". Boas festas.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Seja-se de esquerda ou direita, apartidário ou militante, abstencionista ou regular eleitor, creio que é difícil não simpatizar com aquela frase de pendor cinematográfico (Ozu, Ford, Visconti, Coppola, Eastwood, até mesmo o último "Indiana Jones") dita por Passos Coelho, à porta do tribunal: "Cada um tem o seu tempo, e este tempo não me pertence." E ninguém se lembrou de lhe pedir que caminhasse para longe, de costas para a câmara, enquanto a orquestra anunciava a entrada dos créditos.