Spider-Man (2002) / Drag Me to Hell (2009)
Os estrangeirismos, esses bandidos! Andam as nossas palavras sem serem empregadas para aparecerem esses termos idiomáticos externos e levarem o espaço comunicacional que é nosso por direito! Há que fechar as fronteiras vocabulares! Acabemos com esta bandalheira lexical!
No final do ano passado, o amigo Roni Nunes convidou-me para uma pequena conversa sobre "The Last Picture Show" para o seu Culturaxxi. Por uma coincidência infeliz, é hoje, quando o cinema veste o luto pelo seu realizador, que fica publicada. Se o diálogo parece indiferente ao desaparecimento de Bogdanovich, tal deve-se ao facto de não ter sido elaborado com esse pensamento em mente, mas com aquele de que o cineasta aguardava o término da pandemia para iniciar a rodagem de "One Lucky Moon". Nunca o veremos, e a perda é totalmente nossa.
Mais do que os filmes, leiam-se os livros de entrevistas aos grandes cineastas que publicou, sempre acompanhados por introduções agridoces onde o genuíno amor pelo cinema anda de mãos dadas com a nostalgia. A pena de Bogdanovich era tão memorável como a sua câmara, estando em ambas presente um olhar totalmente cativado e embevecido pela História do cinema. É esse olhar de um romantismo cinéfilo contagiante o que mais falta nos vai fazer.
Resta-me agradecer ao Roni, tanto pelo convite como pelo motivo dado para rever esta obra-prima intemporal. Foi um verdadeiro prazer.
1999: o Zuckerberg entrava no secundário, a Google tinha acabado de sair de uma garagem, os telemóveis começavam a ganhar acesso à internet, e o Aaron Sorkin já advertia sobre o tema problemático que iria abranger todos estes elementos. "The West Wing" tinha várias qualidades quando passou. A presciência trouxe-lhe o tempo.