domingo, 14 de março de 2021

Para além do Lang, do DeMille, do Dwan, a gloriosa Debra Paget também fez um filme com o Tourneur: "Anne of the Indies" (na imagem). Como é que não há comboios de cinéfilos, académicos, biógrafos, jornalistas, documentaristas, apresentadores de TV (e outros que tais) a formarem-se à porta de casa desta senhora, implorando-lhe por histórias de bastidores ou relatos do método de trabalho de alguns dos pioneiros e mestres do cânone, é algo que estará sempre para além da minha compreensão.

quinta-feira, 11 de março de 2021

No novo filme do Woody Allen, "Rifkin's Festival", há um momento rápido onde uma actriz está a ser entrevistada no Festival de San Sebástian, colocando-lhe a entrevistadora a mui peculiar questão: "No filme, todos os seus orgasmos são efeitos especiais?" 

Certo, é um momento cómico, mas a verdade é que, para quem já andou por festivais de cinema, sabe que este tipo de jornalista com questões de nível altíssimo e relevância superlativa anda, de facto, por aí. O que me faz querer interrogar aos meus amigos cinéfilos com experiência festivaleira: qual foi a pergunta mais caricata a que assistiram ser colocada (fosse numa entrevista, numa roundtable, numa conferência de imprensa...)? 

Eu posso começar: no dia 14 de Fevereiro de 2017 (e já vão perceber como é que memorizei a data), na conferência do "Lost City of Z" que aconteceu na Berlinale desse ano, houve um repórter que pediu o microfone, levantou-se calmamente, olhou para o Robert Pattinson e disse: "Robert, hoje é dia dos Namorados. Pergunto-te: nesta data, costumas receber muitas prendinhas?" E, sem dizer mais nada, sentou-se e devolveu o micro.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Apareceu-me um texto muito interessante do Bright Wall/Dark Room sobre os "X-Files" (é verdade, embora não veja séries, já fui o que o jargão da Internet apelida de "X-phile"). Após a sua leitura, deu-me a nostalgia, tirei a minha colecção da estante e lancei a questão: "Se eu quisesse rever todas as temporadas, quanto tempo me levaria?" Uma pesquisa rápida na Internet deu-me a resposta: 218 horas. E comecei a fazer contas mentais. 218 horas são 109 filmes de 2 horas. Isto quer dizer que, mais hora menos hora, poderia ver, usando este tempo: cada título da lista de "os 100 melhores filmes de sempre" da Sight & Sound (ou de qualquer outro meio); todos os filmes do Hitchcock 2 vezes; a obra sonora completa do Hawks 3 vezes (e ainda sobrava para parte da muda); um mega-ciclo francês feito das carreiras integrais do Rohmer, Truffaut e Chabrol; assumindo uma média de 22 projectos de longa-metragem de ficção financiados pelo ICA por ano (dados de 2018), todas as longas-metragens portuguesas dos últimos 5 anos.

O resultado? Voltei a arrumar as temporadas na estante, de onde tão cedo não deverão voltar a sair.

sexta-feira, 5 de março de 2021

"Anita protege a Natureza", Gilbert Delahaye & Marcel Marlier



Anita Ekberg por Andre de Dienes, 1954

Numa formação sobre técnicas de apresentação em público, reparo que confundo frequentemente o termo "púlpito" com o de "patíbulo". Tal troca de conceitos tem uma justificação fácil: para péssimos oradores como eu, uma coisa equivale à outra.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Gosto muito daquela história (que levou à célebre fotografia do Richard Avedon) onde a editora da Vogue, Polly Allen Mellen, à procura de inspiração para uma sessão com a Nastassja Kinski, perguntou à actriz se ela gostava de alguma coisa em especial. Resposta simples e directa dela: "I like snakes."

Lawrence / Weisz / Kinski