sábado, 17 de outubro de 2026

O Chega capturou votos do antigo eleitorado do PCP. Talvez por isso, o PCP tenha agora desesperadamente adoptado a linguagem do Chega, chamando de "parasitas" a líderes de hospitais e bancos. Mas não é nada de novo nos comunistas. Afinal, Lenin já apelidava de "insectos" a quem não era da classe operária.




domingo, 27 de setembro de 2026

A economia mundial à beira de uma crise, as democracias ocidentais em risco, a União Europeia numa erosão cada vez mais acentuada... e, no entanto, as fotografias da Diana Chaves na passadeira vermelha dos Globos de Ouro continuam a ser o bálsamo capaz de atenuar isto tudo. Pelo menos, para mim.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Um filme onde o Jason Bourne é casado com a última Catwoman e têm como filho o novo Homem-Aranha. Este, para ter novidades do pai, vai visitar o mais recente Punisher, enquanto em casa os planos maléficos do novo Batman são escutados pelo sempiterno Sid the Sloth.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O problema, Michael, é que, em Portugal, dizer "não" ao trabalho remoto é dizer "sim" ao atraso da emancipação dos jovens, aos preços absurdos de casas em Lisboa e Porto, ao endividamento excessivo por maus créditos à habitação e ao adiamento (ou cancelamento) de projectos pessoais tão básicos como ter um filho.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

O mais giro da conferência do Luís Neves é a razão do armazenamento do atrelado na garagem do empreiteiro: a PJ não tinha recursos para alugar um armazém e havia muita burocracia. Neves queixa-se da falta de dinheiro e do excesso de papelada neste país. Um português como nós.

domingo, 19 de julho de 2026

A sucursal portuguesa da Trade Republic dá 3% de juros até 50.000€ no dinheiro parado e 2,25% acima desse valor. Sem comissões e sem prazos mínimos de permanência. Os depósitos a prazo da nossa banca dão, em média, 1,48%, que só temos em mãos ao fim de x meses e após pagar y em comissões. A Trade Republic tem tudo para ser a Digi do nosso sector bancário, forçando a concorrência actual (que, através de produtos de pífia remuneração e alguma conivência do Estado, prejudicou o consumidor durante demasiado tempo) a melhorar as condições, levando-a a apresentar, por fim, propostas mais competitivas e recompensadoras. Depois do fim do cartel das telecomunicações, é a vez do fim do oligopólio da banca. E desta vez, não haverá Fernando Medina para o salvar.

sábado, 18 de julho de 2026

"Off with their heads!"

"Demissão para o Fernando Alexandre!", pede o PS por causa da digitalização falhada dos exames nacionais. "Demissão para o Luís Neves!", pede o Chega por causa das dúbias obras do ministro da administração interna. Neste rectângulo à beira-mar plantado, exigir o corte de uma cabeça política por cada escândalo é a proposta de solução mais comum. E assim, de decapitação em decapitação, lá se esperam resolvidos os nossos problemas. É o nosso síndrome: o da Rainha de Copas da "Alice no País das Maravilhas".

domingo, 12 de julho de 2026

Guarda-redes

Talvez pela minha crónica falta de jeito para jogar à bola, a qual me levou incontáveis vezes a ouvir, em aulas sofríveis de Educação Física, "Duarte, vai para a baliza", tenho o meu panteão futebolístico exclusivamente ocupado pela figura do guardião. É nela, na posição regularmente encarada como a de patinho feio do relvado ("Guarda-redes?! Guarda-redes é para quem não sabe jogar!", diz o Cristiano Ronaldo ao filho num documentário com o seu nome), que a falta de talento com os pés é simultaneamente punida e recompensada com a última linha de defesa do colossal rectângulo do qual depende a vitória ou a derrota de uma equipa. Não é à toa que o título mais belo de um filme de Wim Wenders é, justamente, "A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty". Pois, num jogo de futebol, não há maior pressão psicológica nem colocação onde o mais ínfimo erro se revele fatal do que aquela por que passa o homem das luvas de látex que se atira na obstinada procura em parar o esférico com a força das suas palmas. 

Nunca o futebol me proporcionou tanta alegria como no temporalmente longínquo e ainda sentimentalmente próximo Portugal - Inglaterra do Euro 2004, onde a nossa aprovação para as meias-finais foi decidida em dois desafiantes penáltis pelo guardião Ricardo: o primeiro, na imortal defesa sem luvas de um remate de Darius Vassell; o segundo, na marcação do seu golo decisivo que levou Portugal à vitória. Um guarda-redes que escolhe defender sem luvas é o equivalente ao soldado de infantaria que opta por entrar no campo de batalha sem capacete: imprudente, perigoso, tão tremendamente arriscada a tentativa quanto superlativamente admirável se concluída com sucesso. A ansiedade que antecedeu estes dois momentos, assim como a euforia encontrada nos respectivos desfechos, cristalizaram na minha mente a imagem do guarda-redes como a de um atleta menosprezado capaz de ser presentado pela mais memorável glória. E isto numa altura em que os espectadores viam os jogos em canais abertos, estando as televisões do país inteiro sintonizadas ao milissegundo, fazendo um povo sofrer e rejubilar de modo perfeitamente sincronizado (nada de golos com sabor a requentado, como hoje ocorre consoante o canal utilizado e a operadora subscrita).

Ricardo ocupa o topo do meu panteão futebolístico, Mas não está nele só. Acompanho-o com outros, como o soviético Lev Yashin (ainda o único guarda-redes vencedor do Ballon d'Or), o espanhol Iker Casillas (cuja defesa contra um remate da Holanda, na final do Mundial 2010, contribuiu decisivamente para a vitória da selecção espanhola, e onde o prémio mais importante não foi a cobiçada taça da FIFA mas um terno beijo a Sara Carbonero) ou o marroquino Bounou (o percurso de Marrocos no Mundial 2022, muito graças à prestação do seu guardião, foi o mais perto que vi de uma adaptação do Rocky para a vida real).

Por me lembrar disto e por mais, e ainda no rescaldo da derrota da Noruega contra a Inglaterra (que em nada eclipsa o seu extraordinário desempenho contra o Brasil), passa então a constar, neste meu humilde panteão, ele: Ørjan Nyland.

sábado, 11 de julho de 2026

Andava aqui a ver programas de debate político, à procura de algo mais do que mera indignação e do termo "desastre comunicacional" para falar sobre a polémica do Fernando Alexandre e da digitalização falhada dos exames. Chego ao "Programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer " (aka "Governo Sombra") e ouço o Ricardo Araújo Pereira referir um conto do Eça e de como "reforma" é um anagrama para "é morfar". Para além de ser o nosso maior humorista, é também o mais original comentador político que temos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

No Observador, Tiago Dores explica, de modo acessível e espirituoso, a diferença entre PIB e PIB per capita. E o porquê de não se dever menosprezar o segundo indicador para conhecermos, verdadeiramente, a riqueza de um país.




61,5% em 5 anos. 12,3% ao ano. Melhor do que muitos ETFs, incluindo o S&P 500. Porquê comprar casa em Portugal? Porque é um investimento de elevado retorno. Um PPR (muito) agressivo onde se pode viver no seu interior.

Fonte: Jornal de Negócios



domingo, 21 de junho de 2026

Pequeno contributo para uma existência mais feliz

Para me salvaguardar de desilusões e de lamentos quanto ao tempo perdido, há muito tempo que adoptei esta postura face a cada nova "melhor série de sempre" que me é, geralmente, recomendada por amigos ou familiares: espero pelo último episódio da última temporada e, se o vibrante entusiasmo dos que inicialmente ma recomendaram se mantiver, então, só aí, considerarei em juntar-me à lista dos seus eventuais espectadores. É por isso que nunca verei "Dexter", "Game of Thrones", "How I Met Your Mother"... e, pelos vistos, "Euphoria" também.

sábado, 20 de junho de 2026

Toy Story

A minha relação com a saga Toy Story tinha sido, na minha juventude, de algum desapego, fruto de traumas infantis deixados pelos brinquedos mutantes do delinquente Sid no 1º filme e do braço de trapos de Woody rasgado, arrancado e cosido no 2º. Quando chegou o 3º, comigo já em plena adolescência, pareceu-me ser um filme com um final bonito, mas onde o que lhe antecedia não era definitivamente capaz de o igualar. 

Foi só com o 4º, já em jovem adulto, que adquiri genuína estima pela saga a partir da premissa de preocupações universais (e, por isso, bela) que o filme propunha: se o sentido que conferimos às nossas existências está em amarmos e fazermos alguém feliz, o que fazemos quando esse alguém nos renega? Pois no medo existencial de Woody em ser rejeitado pela criança Bonnie (deixando-o para trás ou colocando-o no armário), era palpável a angústia de um amante que terminava de forma amarga o relacionamento com o outro, ou o de um pai cujo filho cortou abruptamente o contacto e a afeição. E por isso, não me admirei quando o Eurico de Barros o designou na altura como "Ingmar Bergman no mundo dos brinquedos". Não só a questão levantada era bela, como a resposta encontrada ainda a superava: a necessidade de encontrar um novo lar numa família de outros renegados. A rejeição, o afastamento, a ausência, em súmula, seriam capazes de fundar novos elos entre pessoas que viveram mágoas de semelhante violência psicológica.

Daí que o 5º, recém-chegado aos cinemas do mundo inteiro, me pareça ser o primeiro com sabor a requentado, tal a redundância de temas (do medo da rejeição à transitoriedade das relações) que já vimos anteriormente abordados de modo mais completo na saga, tanto em termos narrativos como emocionais. Que se justifica a existência pelo medo da obsolescência proveniente dos tablets e pela forma como estes vieram a sequestrar a infância das novas gerações? Não nego o argumento. Mas, se o objectivo é enveredar por uma crítica sociológica entre os humanos e a tecnologia, porque não ir mais longe do que um subenredo envolvendo o cyberbullying e uns meros gags ilustrativos do alheamento da realidade que criámos com os aparelhos? Porque não falar na dependência, nas deteriorações das relações interpessoais do nosso núcleo ou nas dificuldades em abandonarmos as nossas bolhas digitais para nos confrontarmos com opiniões contrárias fora delas? Não o fazendo ou sequer o mencionando, o resultado final soa a pouco. E a uma oportunidade perdida. Daí que a solução proposta pelo filme (a do equilíbrio entre o acto criativo de brincar e o comodismo facilitador da tecnologia) soe a politicamente correcta, mas estruturalmente incompleta. Sobretudo, numa semana onde o Reino Unido baniu as redes sociais para menores de 16 anos.

"O tempo passa e os amigos também.", já é dito no filme de Yasujiro Ozu, "O Fim do Outono". Poderia ser a moral de toda a saga Toy Story. Acompanhámos estes brinquedos tempo suficiente para com eles aprendermos a fechar estoicamente velhos capítulos nas nossas vidas e a aceitarmos esperançosamente a abertura de outros diferentes. Talvez seja altura de a Disney começar a fazer o mesmo com a propriedade intelectual que tem em mãos.

Finalmente, deixei de pagar 40€ mensais da NOS de Internet para passar a pagar apenas 10€ pela Digi. Finalmente, deixei de ter de subscrever obrigatoriamente um inútil serviço de telefone fixo para apenas subscrever aquilo que efectivamente quero e preciso e dou uso. Finalmente, estou livre do cartel das telecomunicações portuguesas.

domingo, 14 de junho de 2026

Molière de mini-saia

Já sabia que o Molière tinha morrido poucas horas após ter interpretado o protagonista de uma peça sua chamada, ironicamente, "O Doente Imaginário". Mas não sabia do quanto ele gozava com a medicina nela, ao ponto de incluir um diálogo auto-referencial que hoje soa a uma bizarra provocação capaz de levar a soltar um "Ele estava a pedi-las".


terça-feira, 2 de junho de 2026

Danças com Lobo (Antunes)

Nutria mais admiração pelo Lobo Antunes-cronista do que pelo Lobo Antunes-romancista, fruto da excruciante experiência que foi a leitura d'As Naus em viagens de comboio e de autocarro a caminho da fábrica onde iniciei o meu percurso profissional em tempos pré-pandémicos. Claro que o erro foi meu ao acreditar que a exigência de um romance modernista seria compatível com meios de transporte preenchidos pela sonolência das manhãs e pelo cansaço dos fins de tarde que constituem uma semana de trabalho. A prosa de Lobo Antunes, impressionista, polifónica, não-linear e determinada em explorar as infinitas potencialidades da metáfora, torna-se indubitavelmente desafiante para quem nela pretende peneirar uma simples narrativa. Daí que o formato da crónica me parecesse mais digerível e apreciável: curto, acessível, focado, sem em nada emascular os dotes estílicos do autor.

Após a sua morte em Março deste ano, procurei reconciliar-me com o romancista via o Memória de Elefante. Inicialmente, todo o cansaço intelectual e esforço interpretativo que sentia n'As Naus esteve presente nas primeiras páginas, forçando-me a fazer sucessivas interrupções e incontáveis releituras dos gargantuescos comboios de palavras que alinhadamente se sucediam. 

O melhor exemplo está nesta frase (note-se: não é um parágrafo, é "apenas" uma frase que ocupa 10 linhas) em baixo, onde a colocação de uma dentadura por uma enfermeira caduca, num hospital psiquiátrico, leva à invocação do filme Dr. Mabuse, do imperador Napoleão e dos odores e ruídos que perpassam pela Feira Popular.

Foi uma frase que, por tê-la inicialmente lido num ritmo lento, forcei-me a relê-la 3 vezes até julgá-la ter compreendido plenamente. E reli-a 3 vezes porque, ao chegar à parte referente aos "estudantes de liceu", esquecia-me a que se referia a "edificação cultural", o que era a "majestade de Napoleão" e até mesmo quem estava no "gabinete" do referido doutor. Uma espécie de viagem sinuosa e atribulada, onde a cada novo passo dado me esquecia do trilho que já havia palmilhado. Mas foi então que a experimentei ler uma nova vez, desta feita em ritmo acelerado, aceitando as imagens invocadas com a velocidade de cada palavra percorrida. Por mais paradoxal que possa parecer, a rapidez tornou-me o texto não só mais inteligível, como também mais prazeroso. A partir daí, li as seguintes do mesmo modo, respirando fundo antes de cada novo bombardeamento criativo de metáforas e referências recebido de uma assentada. E, por fim, posso afirmar que não é só pelo Lobo Antunes-cronista que sinto admiração.

Como encarar, então, a prosa dos seus romances? Como um combate de pugilismo amigável e desafiante (obrigado pela sugestão, C.); como uma dança de passo rápido onde o ritmo sintáctico define a coreografia interpretativa estimulada no nosso intelecto; como, enfim, um mergulho onde se necessita de inspirar profundamente antes de se lidar com um embate de certa violência, mas de onde o leitor, se bem-sucedido, sairá com a sensação purificante apenas reservada aos grandes corpos de água e à fruição estética de uma obra conseguida.

Digo que li As Naus, mas não li. Pois quando uma pessoa desiste de compreender um texto para apenas se resignar a passar os olhos pelas palavras que o compõem, não extraindo dele qualquer prazer ou sentido, então não está a ler, mas apenas a fingir a leitura. Eventualmente, hei-de revisitar As Naus. Por ora, é tempo de mergulhar, dançar e combater com a prosa de Os Cus de Judas.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Para que serve a crítica?"

Pergunta que surge num livro que tenho por estes dias em mãos, o Humilhados e Ofendidos do grande psicólogo da alma humana, Dostoievski de seu nome. No caso, uma personagem que a solta de forma retórica a propósito do papel da crítica literária ao protagonista, um jovem escritor que acaba de publicar o seu primeiro romance. Já me havia deparado com ela, não poucas vezes, sobre a crítica cinematográfica, à qual tentei dar a minha tentativa de resposta em tempos idos. O que prova que, seja sobre a literatura no século XIX ou o cinema no século XXI, a pergunta permanece e estará para durar por gerações, artes e séculos. Já fui presenteado com várias elucidações. Mas talvez nenhuma melhor do que a solta pela pena do saudoso William Friedkin na sua autobiografia, The Friedkin Connection. Deixo, em baixo, esse momento, o qual editei ligeiramente por uma questão de concisão.

«Em 1957, o dramaturgo Harold Pinter estreou a sua peça The Birthday Party. A audiência e alguns críticos consideraram-na obscura, absurda e sem valor. O Pinter tinha apenas 28 anos, esta era a sua segunda peça e tinha sido um fiasco, estando sem dinheiro e a viver numa cave com um bebé. A peça fechou ao fim de oito dias, e só seis pessoas foram vê-la na sua última exibição. Isto deveria marcar o fim da carreira do Pinter. Mas eis que o milagre aconteceu. Uma dessas pessoas era o crítico de teatro Harold Hobson, que escreveu, depois da peça ter encerrado: “Estou disposto a arriscar a minha reputação enquanto crítico ao dizer que o sr. Pinter possui o talento mais original, perturbador e impressionante na Londres teatral. Ele tem presente um facto primário da existência: vivemos à beira do desastre.” E o resultado é que esta crítica resgatou a peça de Pinter e a sua reputação.»

Uma crítica foi o primeiro acontecimento crucial para a aclamação, reconhecimento e glória de um homem simples que gostava de escrever peças. E, por isso, respondendo à questão do título, aquilo que parece ser uma actividade pedante, esquecível e sem utilidade pode fazer, na vida de alguns, toda a diferença entre a miséria numa cave e um Nobel anos depois.

domingo, 10 de maio de 2026

A ignorância dá boa publicidade

"[A] maior controvérsia de Hollywood", diz-me esta newsletter da NOS sobre o caso da Blake Lively contra o Justin Baldoni. Que tão notória hipérbole é uma desesperada estratégia de marketing? Não digo que não. Mas o que me impressiona é a (real ou simulada) falta de memória histórica e cinematográfica, para fins promocionais, junto de uma audiência desinformada e já tão pouco afecta ao passado. Hollywood tem uma dose de escândalos e sordidez associada cuja provecta idade já atinge um valente século (alguma da qual relatada no livro de Kenneth Anger, Hollywood Babylon) e ao pé da qual o caso Lively vs Baldoni empalidece sem hesitação. 

Saberão os autores da newsletter quem foi o Fatty Arbuckle e da festa alcoólica, na época da Lei Seca, que ditou o fim da sua carreira pelo trágico desfecho que nela aconteceu? Não viram o Cat's Meow do Bogdanovich, sobre a misteriosa morte, ocorrida num luxuoso iate nos anos 20, que envolveu celebridades de nomes tão sonantes como o Chaplin ou o Randolph Hearst? Terão ouvido falar, sequer, no Roman Polanski e do crime que lhe não permite regressar aos EUA desde há 50 anos? E como é possível já se terem esquecido do Harvey Weinstein e do MeToo quando nem 10 anos ainda passaram e tanta tinta fez correr?

Calculo que pouco ou nada disto lhes diga algo. E, se disser, então serão os primeiros a reconhecer quão desonesta é essa frase tão taxativa.

E assim continua...

 "Assim, desaparecia da história do PCP toda a gente que tivesse divergências. Eram apagados da história, independentemente da sua importância em determinada fase da vida do PCP. Era assim e assim continuou a ser." 

Zita Seabra, "Foi Assim"